Eu sempre fui um proponente do T2D3. Não como uma regra, mas como uma possibilidade a ser perseguida.
A lógica era simples: depois de atingir aproximadamente US$ 1 milhão de ARR — um sinal de Product Market Fit — a empresa deveria triplicar a receita por dois anos consecutivos e depois dobrá-la por três anos.
Agora estamos vendo surgir um novo benchmark: o Q2T3 (44333) a partir do primeiro US$1MM ARR.
Nas empresas AI First, as evidências começam a mostrar algo diferente.
Os dados da a16z e Bessemer sugerem que startups AI estão atingindo múltiplos milhões de ARR já no primeiro ano de monetização. Pela primeira vez, estamos vendo empresas chegarem ao patamar que tradicionalmente associávamos ao PMF com muito menos tempo, menos pessoas e menos capital.
Mas isso cria um novo desafio.
Estamos acelerando o Product Market Fit ou apenas acelerando a chegada ao primeiro milhão de ARR?
Porque receita nunca foi sinônimo de PMF.
E talvez esse seja o principal aprendizado dos próximos anos.
A meu ver, estamos vendo surgir duas categorias muito diferentes de empresas AI.
A primeira é o que chamo de AI Native Software.
Empresas cujo crescimento é impulsionado principalmente por software, distribuição e produto. Em geral apresentam equipes pequenas, alta alavancagem e tendência a eficiência de capital superior à observada na geração SaaS anterior.
A segunda categoria é AI Native Services.
Empresas que entregam resultados através de uma combinação de software, agentes, especialistas, onboarding, operações e Forward Deployed Engineers. Muitas delas crescem rapidamente, mas carregam uma quantidade significativa de trabalho humano dentro da entrega.
Ambas podem gerar receita rapidamente.
Mas a qualidade desse crescimento é diferente.
Por isso acredito que os próximos anos exigirão uma nova forma de olhar para crescimento em AI.
Não basta perguntar quanto a empresa cresceu.
Precisamos perguntar como ela cresceu.
Qual a margem bruta?
Quanto humano ainda existe no loop?
Qual o custo de inferência?
Qual o custo de onboarding?
Quanto da receita vem de produto e quanto vem de serviço?
Quanto capital foi necessário para chegar até aqui?
E talvez a pergunta mais importante de todas:
Se a receita dobrar amanhã, a empresa precisa dobrar pessoas também?
Na era SaaS, aprendemos a admirar crescimento.
Na era AI First, vamos precisar aprender a distinguir velocidade de qualidade.
Porque as empresas vencedoras não serão apenas as que chegarem mais rápido ao primeiro milhão de ARR.
Serão aquelas que transformarem esse primeiro milhão em um negócio durável, eficiente e capaz de capturar valor por décadas.
Talvez o verdadeiro debate não seja T2D3 versus Q2T3.
Talvez seja aprender a diferenciar crescimento acelerado de crescimento de qualidade.