AI reduziu drasticamente o custo de testar, aprender e executar, mas encareceu a escolha da direção certa.
A capacidade de aprender passa a ser uma das principais unidades econômicas da empresa.
Mas não adianta aprender mais rápido se você estiver aprendendo a coisa errada. Pior, AI também acelera erros.
Velocidade sozinha não basta. É preciso combinar velocidade para aprender e qualidade de julgamento para escolher.
Se a direção for errada, mil experimentos não ajudam. Se a direção for correta, dez experimentos podem mudar uma empresa.
Para encontrar a direção certa, todo founder precisa de três coisas: um mapa, um workflow para formular hipóteses e uma heurística para decidir quais hipóteses merecem existir.
O mapa vem da história de milhares de founders que já fizeram a trilha antes. São eles que ajudam a responder perguntas fundamentais: em qual capítulo da jornada eu estou? Quais são os fundamentos desta fase? Quais são os gargalos típicos? Quais são os atalhos falsos? Quais são os riscos invisíveis?
Depois vem a formulação de hipóteses. E aqui não existe atalho. Boas hipóteses exigem repertório, curiosidade e modelos mentais. Exigem as famosas 10 mil horas. Talvez 100 mil. Em você, no seu time, nos seus advisors, investidores, clientes e parceiros.
Por fim vem a escolha. E aqui mora a parte mais humana de toda a jornada. Escolher exige corpo, coração, mente e espírito. Exige uma heurística de tomada de decisão e trabalhar de trás para frente.
“O que precisa ser verdade para esta empresa valer US$ 10 bilhões?” Essa é a hipótese que deveria nortear o aprendizado de qualquer founder. Essa é a partida pela busca das hipóteses e decisões.
Os melhores founders que conheço raramente caminham e decidem sozinhos. Eles se cercam de thinking partners diferentes para cada etapa do processo.
Clientes, Customer Success, founders adjacentes e especialistas ajudam a enxergar aquilo que eles ainda não veem. AI é extraordinária nessa etapa porque consegue sintetizar padrões, resumir conversas, identificar sinais fracos e expandir pesquisas.
Product managers excepcionais, investidores, acadêmicos e historiadores ajudam a formular hipóteses. AI também é poderosa aqui, acelerando analogias, modelos mentais e a exploração de possibilidades.
Mas quando chega a hora de escolher, a lista muda. Founders que já passaram pela mesma decisão. Operadores excepcionais. Investidores incríveis. Coaches. Família. Aqui AI ajuda menos. Porque decisão envolve ambição, identidade, medo, desejo e responsabilidade.
Mas existe um último thinking partner que quase ninguém procura. O espelho.
O operador ajuda você a aprender. O estrategista ajuda você a formular hipóteses. O decisor ajuda você a priorizar. Mas quem ajuda você a entender a si mesmo?
Porque, no final, os maiores gargalos de uma empresa raramente estão apenas no mercado, no produto ou na tecnologia. Eles costumam estar dentro do próprio founder.