AI-First: Fundraising – Não há nada novo debaixo do céu, #sqn!

“Mudou algum fundamento na hora de analisar uma empresa?”

Essa pergunta que uma founder do nosso portfólio me fez ficou martelando na minha cabeça.

Minha resposta, do Marcelo Hideo Sato e do Daniel Chalfon: não.

Os fundamentos continuam exatamente os mesmos.

Continuamos procurando pessoas excepcionais. Continuamos procurando mercados grandes. Continuamos procurando produtos amados pelos clientes. Continuamos procurando distribuição eficiente. Continuamos procurando empresas capazes de capturar valor econômico.

O que mudou foi o custo dos fundamentos.

Durante décadas, construir foi caro. Desenvolver produto era caro. Experimentar era caro. Distribuir era caro. Aprender era caro.

Por isso execução era uma vantagem competitiva tão importante.

Agora estamos entrando em um mundo onde construir ficou muito mais barato. Aprender ficou mais barato. Testar ficou mais barato. Executar ficou mais barato.

E quando algo se torna abundante, outra coisa se torna escassa.

Se construir ficou barato, escolher o que construir ficou mais importante. Se aprender ficou barato, saber o que aprender ficou mais importante.

Se testar ficou barato, formular hipóteses ficou mais importante. Se executar ficou barato, escolher a direção ficou mais importante.

É por isso que não acreditamos que AI esteja mudando os fundamentos das startups.

Ela está mudando o preço relativo dos fundamentos. A capacidade de programar continua importante. Mas talvez a capacidade de formular perguntas tenha se tornado mais valiosa.

A capacidade de executar continua importante. Mas talvez a capacidade de julgamento tenha se tornado mais valiosa.

A capacidade de construir produto continua importante. Mas talvez a capacidade de entender profundamente clientes e mercados tenha se tornado mais valiosa.

Isso explica por que vemos Learning Agility e Intellectual Honesty ganhando importância.

Não porque o mundo exige menos aprendizado. Mas porque exige mais discernimento.

AI acelera feedback loops. Mas também acelera erros.

Ela ajuda a encontrar respostas. Mas não ajuda tanto a escolher quais perguntas merecem ser feitas.

Ela ajuda a executar. Mas não elimina a responsabilidade de decidir.

Talvez seja por isso que continuamos acreditando que as melhores empresas AI-First serão construídas pelos mesmos tipos de pessoas que sempre construíram grandes empresas:

Pessoas curiosas. Pessoas obcecadas por clientes. Pessoas capazes de mudar de ideia diante dos fatos. Pessoas que sabem aprender. E, principalmente, pessoas que sabem escolher.

Não tem nada pior que founder que tem medo de escolher.

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