AI-First Investor

AI-First Investor IA e as 100 maiores empresas brasileiras

Edson Rigonatti·2026·2 min de leitura

AI-First Investor: IA e as 100 maiores empresas brasileiras

Quantos bilhões de EBITDA das maiores empresas brasileiras estarão sob pressão na próxima década?

Nos próximos anos, os conselhos de administração das 100 maiores empresas brasileiras — Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Petrobras, Vale, Suzano, Ambev, JBS, Raízen, Vibra, Localiza, Rede D'Or, TOTVS, Porto, XP, BTG, Stone, Magazine Luiza e tantas outras — estarão discutindo essencialmente três perguntas.

Quanto da nossa estrutura de custos é trabalho especializado?

Quanto desse trabalho segue workflows que podem ser executados por sistemas de IA?

Se um concorrente automatizar esse trabalho antes de nós, quanto EBITDA ficará em risco?

Essas perguntas parecem novas. Na verdade, elas se repetem há quarenta anos.

No ciclo do Desktop, bancos, indústrias e varejistas precisaram informatizar suas operações. Nasceram os ERPs.

No ciclo da Internet, empresas de mídia, varejo, classificados, turismo e serviços precisaram reinventar sua distribuição. Vieram Mercado Livre, Buscapé, Submarino, iFood e uma nova economia digital.

No ciclo do Cloud, empresas passaram a abandonar software instalado e migrar para aplicações em nuvem. O resultado foi uma explosão de software vertical e uma intensa onda de consolidação liderada por diversos compradores nacionais e internacionais.

No ciclo das Fintechs, bancos, adquirentes e seguradoras perceberam que sua infraestrutura financeira estava sendo reinventada. O resultado foi talvez o maior ciclo de inovação financeira da história do Brasil.

Agora começa um novo ciclo. Mas existe uma diferença importante. a IA ameaça qualquer atividade baseada em conhecimento operacional.

Nos bancos, isso significa crédito, atendimento, compliance, operações, cobrança, investimentos e backoffice.

Nas empresas de software, significa transformar sistemas de registro em sistemas capazes de executar trabalho.

Nas seguradoras, significa automatizar subscrição, sinistros e distribuição.

No varejo, compras, precificação, logística, atendimento e crédito.

Nos hospitais, faturamento, auditoria, jornada do paciente e gestão operacional.

E talvez a transformação mais subestimada esteja justamente nas grandes empresas industriais.
Vale, Suzano, Gerdau, Braskem, JBS, Raízen e tantas outras construíram sua competitividade ao redor da excelência operacional.

Planejamento. Manutenção. Suprimentos. Logística. Engenharia. Comércio exterior. Gestão de ativos. Controle de qualidade.

Esses processos sempre dependeram da experiência acumulada de milhares de especialistas.

A IA cria a possibilidade de transformar esse conhecimento em infraestrutura.

A IA cria uma pressão competitiva que obriga as maiores empresas do país a construir, fazer parceria ou adquirir novas capacidades.

Historicamente, é exatamente essa pressão que transforma inovação em liquidez.

É ela que cria compradores estratégicos. É ela que acelera o M&A. E, no final, é ela que transforma tecnologia em DPI.

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Publicado originalmente em Arquivo — em migração · 2026

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