AI-First Investor

AI-First Investor os novos gigantes verticais

Edson Rigonatti·2026·2 min de leitura

AI-First Investor: os novos gigantes verticais

Como as mudanças que IA causa em como trabalhamos e vivemos se transforma em empresas extraordinárias, compradores estratégicos e liquidez?

Acreditamos que existe uma sequência relativamente previsível.

Tudo começa na produtividade.

Quando uma profissão passa a utilizar IA, sua capacidade de produzir aumenta drasticamente.

Um contador atende mais empresas. Um advogado revisa mais contratos. Um médico acompanha mais pacientes. Um comprador negocia mais fornecedores. Um analista financeiro cobre mais empresas.

Chamamos essa primeira etapa de Workforce Augmentation.

O próximo passo acontece quando essa produtividade deixa de ser uma ferramenta individual e passa a ser incorporada em um produto.

Nasce uma empresa vertical.

Uma plataforma construída especificamente para contadores, clínicas, escritórios de advocacia, transportadoras ou empresas de construção.

Quando essas novas empresas começam a ganhar escala, elas passam a pressionar diretamente o lucro das grandes organizações estabelecidas.
Os conselhos deixam de discutir inovação e passam a discutir competitividade.

Quanto do nosso trabalho pode ser automatizado? Quanto do nosso custo pode desaparecer? Quanto EBITDA perderemos se um concorrente fizer isso antes?

É isso que chamamos de Category Pressure. É uma medida da urgência dos incumbentes.

Quanto maior essa pressão, maior tende a ser o investimento em transformação.
Algumas empresas construirão internamente, outras buscarão parceiros e muitas comprarão.

Mas existe mais uma etapa.

À medida que essas plataformas passam a controlar workflows críticos, elas deixam de administrar apenas trabalho.

Passam a controlar decisões. Depois transações. Depois pagamentos. Depois crédito. Depois seguros.

E, quando isso acontece, muda também o universo de compradores.

Não são apenas empresas de software. São bancos, seguradoras, consultorias, BPOs, plataformas financeiras, marketplaces, empresas globais e Private Equity.

Todos passam a enxergar aquele ativo como estratégico.

É aí que nasce a liquidez.

No final, esse talvez seja o principal aprendizado dos últimos quarenta anos.

A IA não cria valor porque automatiza tarefas. Ela cria valor porque inicia um ciclo.

Produtividade gera empresas.
Empresas pressionam categorias.
Categorias aceleram M&A.
M&A gera liquidez.
Liquidez gera retorno para os investidores.

Esse é um novo mecanismo de criação de riqueza.

Um mecanismo que começa na produtividade de um profissional, atravessa workflows, captura transações, pressiona o EBITDA das maiores empresas do país e, finalmente, se transforma em compradores estratégicos e DPI para os fundos que identificarem esse movimento cedo.

Publicado originalmente em Arquivo — em migração · 2026

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